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Outubro Rosa: mitos e verdades sobre o câncer de mama

Quando o assunto é saúde, outubro é um dos meses mais esperados durante o ano, já que é responsável pela conscientização do câncer de mama, alertando especialmente para a realização de exames e identificação precoce do câncer de mama.

A importância dessa conscientização se dá pelo fato de que o câncer de mama é o segundo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, atrás apenas do câncer de pele, correspondendo a cerca de 29% de novos casos a cada ano no país.

São números bastante altos, se tratando de uma doença que pode ser diagnosticada precocemente e que pode ter grande possibilidade de cura.

Mas afinal, qual é a importância da identificação precoce do câncer de mama?

O diagnóstico precoce permite a chance de cura para a paciente, já que as taxas de sucesso do tratamento ultrapassam os 90% quando o câncer é diagnosticado em sua fase inicial. Além disso, cirurgias úteis ao tratamento acabam sendo menos radicais, podendo-se até evitar a remoção completa da mama, na grande maioria dos casos.

A identificação ou não de um câncer de mama acontece através de exames, que nesse caso falamos da mamografia de rastreamento. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, a mamografia deve ser feita anualmente, a partir dos 40 anos por todas as mulheres, sendo que em alguns casos deve ser complementada com ultrassonografia e ressonância magnética da mama.

mulheres com fatores de riscos adicionais para o câncer de mama, como por exemplo, histórico familiar ou presença de mutação genética específica para câncer de mama, devem consultar um mastologista para avaliar a necessidade de iniciar o rastreamento antes dos 40 anos.

O autoexame garante um diagnóstico preciso?

Você provavelmente já deve ter ouvido falar muito sobre o autoexame. Isso porque toda a prática com o objetivo de conhecimento do corpo deve ser estimulada, mas o autoexame não detecta alguns tumores, principalmente os iniciais. Por isso,  o autoexame não deve ser substituído pelos exames de rastreamento para câncer de mama.

Sintomas do câncer de mama

Quando muito inicial, o câncer de mama pode não apresentar sintomas, e dessa forma só é visto nos exames de imagem (mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética).

Nos demais casos, pode se manifestar como alteração na forma ou tamanho da mama, nódulos, retração de pele, inversão do mamilo, surgimento de secreção, íngua palpável em região axilar, vermelhidão associada ao enrugamento da pele (casca de laranja).

Todos os nódulos são suspeitos para câncer de mama?

Nem todos.

Existem nódulos que são benignos, como por exemplo, os fibroadenomas. Esses nódulos são sólidos, benignos e geralmente surgem em idade mais precoce se comparado ao câncer de mama.

A ultrassonografia de mama é o exame de escolha para diferenciar nódulos sólidos de cistos, que são formações com conteúdo líquido. Os cistos são achados bastante comuns da mama, geralmente são múltiplos e não aumentam o risco de câncer.

Atente-se aos principais fatores de risco:

  • Menarca precoce (idade da primeira menstruação antes dos 11 anos),
  • Menopausa tardia (após os 55 anos)
  • Primeira gestação acima dos 30 anos
  • Histórico familiar para câncer de mama

Além desses que são inerentes a mulher, existem outros fatores de risco chamados “modificáveis”, como por exemplo, o uso prolongado de reposição hormonal após a menopausa, sedentarismo, obesidade, alcoolismo e tabagismo.

Manter hábitos de vida saudáveis é importante para se proteger, pois atuará nos fatores de risco “modificáveis”. Por isso, a indicação é: exercícios físicos frequentes, alimentação equilibrada, peso adequado e evitar o consumo de álcool e cigarro.

Vale destacar que a amamentação é também um fator protetor para o câncer de mama.

Fique atenta aos principais mitos sobre o tema:

  1. Mamografia causa câncer? Não, a dose baixa da radiação, a idade de início do exame (40 anos) e o intervalo anual faz com que a mamografia seja segura.
  2. Posso fazer apenas a ultrassonografia? A mamografia é insubstituível, pois algumas achados (como as calcificações suspeitas) são vistos apenas pela mamografia. Os demais exames da mama são sempre complementares à mamografia.
  3. Tenho próteses de silicone, posso fazer mamografia? Mesmo quem tem prótese deve fazer a mamografia. Nesses casos, se usa uma técnica para deslocar a prótese e assim poder ver melhor o tecido mamário.

Você sabe que o seu corpo é a sua casa e por isso, ele precisa de cuidados, os quais não devem ocorrer apenas uma vez ao ano e sim todos os dias. Preste atenção no seu corpo, nas mudanças e sempre esteja em contato com o seu médico(a), especialmente um mastologista. É ele que poderá indicar todos os exames necessários e dar a você uma vida mais tranquila.

Esse texto foi escrito em parceria com a Dra. Paula Tozatti, Mastologista e Ginecologista – CRM 34703.

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